"Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu gostar de você
Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver
Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui?..."
Fazia tempo que eu não escutava essa música e essa semana ouvi no rádio. Sempre gostei dela não só pela música em si, mas pelo trecho do livro do Eça de Queiroz que o Arnaldo Antunes recita no meio dela. Sempre achei que encaixava.
Só que só então eu parei pra pensar na letra da música e parece que enfim, naquele momento, eu tinha entendido o que ela queria dizer pra mim.
Percebi como é importante ter alguém que a gente ame do nosso lado, independente de ser namorado, amigas, família, etc e tal. Mas, mais importante, entendi como é necessário a gente deixar claro pra aquela determinada pessoa que a gente precisa que ela deixe a gente sentir esse amor por ela. Entendeu?
Parece que eu cheguei em um ponto da minha vida de onde eu consigo ver as coisas mais claras. E é estranho achar que isso talvez seja a maturidade que tanto eu ouvia falarem sobre.
Hoje parece que eu sei a fórmula pra fazer as pessoas gostarem de mim. E, o melhor, eu posso escolher em quem eu vou aplicar essa fórmula.
De repente pra mim se tornou claro que eu não preciso agradar todo mundo, porque as coisas são mais simples do que eu imaginava. As pessoas que eu amo são as pessoas que eu permito que me amem. E talvez, somente talvez, esse fato seja suficiente.
Se deixar ser amado talvez seja suficiente. E daí quase tudo se encaixa...
Loucuras à parte, deve ser o sono me pegando. E eu fico por aqui que já deu minha hora...
"... Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante...
Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase...
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações..."
Teorias Furadas
Opiniões furadas (ou não) sobre um monte de coisas desimportantes
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Crônica do Imediato
"O tempo divide-se entre o ontem, o hoje e o amanhã. Ontem já foi, e amanhã, vá saber. Dito, assim, fica fácil perceber qual das três etapas é a mais importante. O presente, lógico. O passado é importante pela bagagem que você traz de lá e o futuro só é importante no plano da abstração e da fantasia, porque ninguém o alcança: estamos todos presos neste exato momento.
Diante dessa visão simplista, passado e futuro transformam-se apenas em sinalizadores de calendário, em semântica para designar quem você foi e quem você pretende ser quando crescer. No entanto, são justamente esses dois tempos que monopolizam o planeta. O presente, coitado, não tem armas para combater duas superpotências chamadas Lembrança e Expectativa.
O passado é um álbum de fotografias onde as cenas fora de foco não entram. É a realidade revisada: recordar é esquecer a banalidade dos fatos. Um encontro amoroso, o que é? Duas pessoas que se olham, se tocam, se beijam, discutem, fumam, se beijam de novo, implicam uma com a outra, riem, fazem juras eternas, espirram. Esse encontro, 24 horas depois, será lembrado com mais boa vontade: a fumaça do cigarro, as pequenas implicâncias e os espirros sumirão da memória. Ficarão os beijos, as palavras e os olhares. Foi um encontro mais ou menos agradável, mas será lembrado como mágico. A saudade faz tudo subir de escalão.
Suas férias estão sendo boas, mas chove há três dias, a cabana que você alugou não era bem como o corretor descreveu e você está sentindo falta, não conte pra ninguém, do trabalho! Mas, ao voltar para casa, a lembrança tratará de aperfeiçoar aqueles 30 dias úteis em Camboriú e você não cansará de dizer que suas férias foram magníficas. Até mesmo dores antigas ganham novo status ao serem recordadas: dor de cotovelo vira aprendizado e aquela vontade de se atirar embaixo de um ônibus vira um profundo processo de autoconhecimento. Ter sofrido no passado é sempre didático.
O futuro é outra flor de simpatia. A expectativa veste a todos muito bem, coloca sábias palavras em nossa boca e uma fortuna em nosso bolso. A megasena acumulada que será sorteada daqui a alguns dias, a entrevista de emprego marcada para quinta, o próximo verão em Punta, não sairá tudo como planejamos? Quem dera. A realidade nunca foi páreo para a imaginação.
Fica o presente, então, encurralado entre esses dois períodos emblemáticos, o passado e o futuro, quando na verdade ele é que deveria ser a estrela da festa. O antes e o depois são apenas figuração: durante é que o desejo é real, que as pernas tremem, que o coração dispara, que o abraço ainda está quente. A vida é breve e só existe esse instante. Amanhã um pintor de parede estará cobrindo o chão com esse jornal e minha crônica servirá de capacho para um tênis sujo de tinta. Tic-tac, tic-tac. O tempo não perdoa."
- Martha Medeiros -
--
De fato, "a saudade faz tudo subir de escalão".
Quando longe, as pessoas ficam mais bonitas, mais importantes e você se concentra na falta que elas te fazem e como tudo seria divertido se vocês tivessem juntos.
Quando perto, você repara que nem tudo são flores, que a falta que você sentiu pode não ter sido recíproca e que, talvez, os laços que você achava que existiam já não são tão fortes assim.
E o pior é que isso te faz pensar, te remete ao passado e te leva pra aquela superpotência, a Lembrança. Nela você era feliz, seu mundo era próximo do perfeito e você se culpa por não ter se dado conta disso quando aconteceu.
E quando você menos espera, você se pega sonhando, pensando que um dia talvez tudo volte a ser como antes e aí se vê viajando pra outra superpotência, a Expectativa. Nela você vai ser feliz, seu mundo vai ser próximo do perfeito e você tem certeza que vai se dar conta disso quando acontecer.
Mas aí, quando por fim você se dá conta que deveria ter se concentrado no presente, talvez seja tarde demais. E você acaba por se ver num ciclo em que tudo que te resta são as lembranças e as expectativas, as lembranças e as expectativas, as lembranças e as expectativas...
Diante dessa visão simplista, passado e futuro transformam-se apenas em sinalizadores de calendário, em semântica para designar quem você foi e quem você pretende ser quando crescer. No entanto, são justamente esses dois tempos que monopolizam o planeta. O presente, coitado, não tem armas para combater duas superpotências chamadas Lembrança e Expectativa.
O passado é um álbum de fotografias onde as cenas fora de foco não entram. É a realidade revisada: recordar é esquecer a banalidade dos fatos. Um encontro amoroso, o que é? Duas pessoas que se olham, se tocam, se beijam, discutem, fumam, se beijam de novo, implicam uma com a outra, riem, fazem juras eternas, espirram. Esse encontro, 24 horas depois, será lembrado com mais boa vontade: a fumaça do cigarro, as pequenas implicâncias e os espirros sumirão da memória. Ficarão os beijos, as palavras e os olhares. Foi um encontro mais ou menos agradável, mas será lembrado como mágico. A saudade faz tudo subir de escalão.
Suas férias estão sendo boas, mas chove há três dias, a cabana que você alugou não era bem como o corretor descreveu e você está sentindo falta, não conte pra ninguém, do trabalho! Mas, ao voltar para casa, a lembrança tratará de aperfeiçoar aqueles 30 dias úteis em Camboriú e você não cansará de dizer que suas férias foram magníficas. Até mesmo dores antigas ganham novo status ao serem recordadas: dor de cotovelo vira aprendizado e aquela vontade de se atirar embaixo de um ônibus vira um profundo processo de autoconhecimento. Ter sofrido no passado é sempre didático.
O futuro é outra flor de simpatia. A expectativa veste a todos muito bem, coloca sábias palavras em nossa boca e uma fortuna em nosso bolso. A megasena acumulada que será sorteada daqui a alguns dias, a entrevista de emprego marcada para quinta, o próximo verão em Punta, não sairá tudo como planejamos? Quem dera. A realidade nunca foi páreo para a imaginação.
Fica o presente, então, encurralado entre esses dois períodos emblemáticos, o passado e o futuro, quando na verdade ele é que deveria ser a estrela da festa. O antes e o depois são apenas figuração: durante é que o desejo é real, que as pernas tremem, que o coração dispara, que o abraço ainda está quente. A vida é breve e só existe esse instante. Amanhã um pintor de parede estará cobrindo o chão com esse jornal e minha crônica servirá de capacho para um tênis sujo de tinta. Tic-tac, tic-tac. O tempo não perdoa."
- Martha Medeiros -
--
De fato, "a saudade faz tudo subir de escalão".
Quando longe, as pessoas ficam mais bonitas, mais importantes e você se concentra na falta que elas te fazem e como tudo seria divertido se vocês tivessem juntos.
Quando perto, você repara que nem tudo são flores, que a falta que você sentiu pode não ter sido recíproca e que, talvez, os laços que você achava que existiam já não são tão fortes assim.
E o pior é que isso te faz pensar, te remete ao passado e te leva pra aquela superpotência, a Lembrança. Nela você era feliz, seu mundo era próximo do perfeito e você se culpa por não ter se dado conta disso quando aconteceu.
E quando você menos espera, você se pega sonhando, pensando que um dia talvez tudo volte a ser como antes e aí se vê viajando pra outra superpotência, a Expectativa. Nela você vai ser feliz, seu mundo vai ser próximo do perfeito e você tem certeza que vai se dar conta disso quando acontecer.
Mas aí, quando por fim você se dá conta que deveria ter se concentrado no presente, talvez seja tarde demais. E você acaba por se ver num ciclo em que tudo que te resta são as lembranças e as expectativas, as lembranças e as expectativas, as lembranças e as expectativas...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Qual das alternativas?
Então chega um dia em que você se faz o seguinte questionamento:
O que vale mais à pena?
a) ser uma pessoa escrota, ter ao seu redor pessoas que têm medo de você e, por consequência, viver sem amigos verdadeiros
b) ser uma pessoa boazinha, fazer o possível pra agradar aos outros, ter ao ser redor pessoas interesseiras e, por consequência, viver sem amigos verdadeiros
...
é... e aí?
O que vale mais à pena?
a) ser uma pessoa escrota, ter ao seu redor pessoas que têm medo de você e, por consequência, viver sem amigos verdadeiros
b) ser uma pessoa boazinha, fazer o possível pra agradar aos outros, ter ao ser redor pessoas interesseiras e, por consequência, viver sem amigos verdadeiros
...
é... e aí?
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Quantas letras?
A pessoa com pensamento matemático fazendo palavra cruzada...
"Equivalente a três terços"
I-N-T-E-I-R-O !
Eis que mamãe grita de volta:
- É R-O-S-Á-R-I-O, menina !!
Ah, tá ...
"Equivalente a três terços"
I-N-T-E-I-R-O !
Eis que mamãe grita de volta:
- É R-O-S-Á-R-I-O, menina !!
Ah, tá ...
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
7 Erros
Corrija os termos errados na seguinte frase:
"Passei rímel na minha boca"
oi?
cansaço mental, trabalhamos ...
"Passei rímel na minha boca"
oi?
cansaço mental, trabalhamos ...
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Nova era
Hoje é meu último dia de trabalho no lugar que eu trabalhei por 3 anos e alguns meses. E como seria meu último "passeio" de carro até ele, queria que a trilha sonora no caminho fosse especial
Acabou que eu, enrolada como sempre, esqueci de gravar as músicas pra ouvir no carro. E fui reclamando e me xingando de lerda porque aquele momento "eu-comigo-mesma" poderia estar sendo especial e não estava sendo.
Foi aí que tocou "Scar Tissue", dos Red Hot Chili Peppers no rádio. Essa música não diz coisa com coisa, ao meu ver. Mas ela faz lembrar de uma época muito boa da escola em que eu comecei a descobrir que meu mundinho podia ser mais do que eu imaginava.
E então aquela falta momentânea de trilha sonora própria se tornou ideal, porque a música que tocou sem querer no rádio me fez pensar em toda essa nova fase que me espera a partir de segunda feira. E também em como tudo na vida são fases. E principalmente, em como eu aprendi coisas sobre a vida nessa fase que estava terminando.
Aprendi que existindo cargos maiores a serem alcançados ou não, vai ter sempre alguém querendo te fuder. Fato. É a vida, e ela está cheia de espertinhos.
Mas também aprendi que pelo caminho a gente encontra muita gente disposta a lutar nossas batalhas.
Vai sempre existir aquela pessoa tímida de início, mas que com o tempo vai trabalhando a intimidade e você vai perceber que ele entende seu modo de pensar e, oras, vejam só, você também vai entender o dele. E pra não soar estranho, a justificativa vai passar a ser que vocês se entendem porque são engenheiros. Mas é claro, engenheiros pensam igual, é óbvio que vocês iriam se entender.
E aquela pessoa um dia passa a te ver não só como estagiária, mas como colega de profissão. E vai respeitar suas opiniões, e as levar em consideração. E quer saber, ele até vai pedir ajuda de vez em quando. E vai se ver salvo com as suas ideias algumas vezes também.
E um dia não se surpreenda se você se der conta que essa pessoa virou seu amigo. Que merda!
Merda? Merda porque aí vem a intimidade. O trabalho rende mais? Até rende. Mas você sabe que um dia quando for embora, vai doer mais também.
Mas quando aquela pessoa quiser rir com você, o riso vai ser sincero. E quando ele quiser reclamar da vida com você, vai ser mais emocionante. E quando você precisar xingar alguém, os ouvidos vão estar mais abertos.
E quando aquela pessoa gritar com você, vai machucar mais também. Mas quando ele vier pedir desculpas, e você fizer manha, ele vai se sentir culpado duas vezes: uma por ter gritado com você. Outra por ter te mimado. E você vai se sentir duplamente vingado: pelo grito e pela sacanagem que acabou de aprontar.
E quando um dia você tiver que deixar isso tudo pra trás e ir embora, você vai ver que aquela pessoa fez ter valido a pena. Que quase tudo que você aprendeu foi com ele. E quase tudo que você pôde ensinar, foi pra ele.
E vai bater um arrependimento por estar indo embora. Mas aí você vai se dar conta que o que você está deixando pra trás é o chefe. E não o amigo.
E amigos, minha gente... esses ficam pra sempre.
--
A todos os Fabianos Follys que possam existir por aí, obrigada por cumprirem seus papéis de chefes e amigos. E saibam que independente de causas ou salários, vocês estão fazendo a diferença.
Acabou que eu, enrolada como sempre, esqueci de gravar as músicas pra ouvir no carro. E fui reclamando e me xingando de lerda porque aquele momento "eu-comigo-mesma" poderia estar sendo especial e não estava sendo.
Foi aí que tocou "Scar Tissue", dos Red Hot Chili Peppers no rádio. Essa música não diz coisa com coisa, ao meu ver. Mas ela faz lembrar de uma época muito boa da escola em que eu comecei a descobrir que meu mundinho podia ser mais do que eu imaginava.
E então aquela falta momentânea de trilha sonora própria se tornou ideal, porque a música que tocou sem querer no rádio me fez pensar em toda essa nova fase que me espera a partir de segunda feira. E também em como tudo na vida são fases. E principalmente, em como eu aprendi coisas sobre a vida nessa fase que estava terminando.
Aprendi que existindo cargos maiores a serem alcançados ou não, vai ter sempre alguém querendo te fuder. Fato. É a vida, e ela está cheia de espertinhos.
Mas também aprendi que pelo caminho a gente encontra muita gente disposta a lutar nossas batalhas.
Vai sempre existir aquela pessoa tímida de início, mas que com o tempo vai trabalhando a intimidade e você vai perceber que ele entende seu modo de pensar e, oras, vejam só, você também vai entender o dele. E pra não soar estranho, a justificativa vai passar a ser que vocês se entendem porque são engenheiros. Mas é claro, engenheiros pensam igual, é óbvio que vocês iriam se entender.
E aquela pessoa um dia passa a te ver não só como estagiária, mas como colega de profissão. E vai respeitar suas opiniões, e as levar em consideração. E quer saber, ele até vai pedir ajuda de vez em quando. E vai se ver salvo com as suas ideias algumas vezes também.
E um dia não se surpreenda se você se der conta que essa pessoa virou seu amigo. Que merda!
Merda? Merda porque aí vem a intimidade. O trabalho rende mais? Até rende. Mas você sabe que um dia quando for embora, vai doer mais também.
Mas quando aquela pessoa quiser rir com você, o riso vai ser sincero. E quando ele quiser reclamar da vida com você, vai ser mais emocionante. E quando você precisar xingar alguém, os ouvidos vão estar mais abertos.
E quando aquela pessoa gritar com você, vai machucar mais também. Mas quando ele vier pedir desculpas, e você fizer manha, ele vai se sentir culpado duas vezes: uma por ter gritado com você. Outra por ter te mimado. E você vai se sentir duplamente vingado: pelo grito e pela sacanagem que acabou de aprontar.
E quando um dia você tiver que deixar isso tudo pra trás e ir embora, você vai ver que aquela pessoa fez ter valido a pena. Que quase tudo que você aprendeu foi com ele. E quase tudo que você pôde ensinar, foi pra ele.
E vai bater um arrependimento por estar indo embora. Mas aí você vai se dar conta que o que você está deixando pra trás é o chefe. E não o amigo.
E amigos, minha gente... esses ficam pra sempre.
--
A todos os Fabianos Follys que possam existir por aí, obrigada por cumprirem seus papéis de chefes e amigos. E saibam que independente de causas ou salários, vocês estão fazendo a diferença.
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