terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre o tempo

Houve um tempo em que se era feliz
Tempo do simples
Tempo da alegria imediata
Tempo que bastava

"Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu"

Houve um tempo calmo
Tempo que tudo cabia
Tempo que tudo passava rápido demais
Tempo de viver intensamente

"E agora eu ando correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquele festa, o que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar"

Agora eu vejo, aquele tempo era o fim
Era o começo do meu tempo
Que se perdeu de mim

"Tempo, tempo, tempo, tempo..."

Houve um tempo que era pra viver
Pra se dar
E receber

Houve o tempo de crescer
Absorver
Amadurecer

Mas foi chegada a hora do tempo do hoje
O tempo sem tempo
O tempo do momento curto
Das dores compridas
Dos abraços rasos

Mas foi chegada a hora do tempo do hoje
O tempo em que se foca nas lembranças do ontem
E na esperança do amanhã

Há um tempo em que não se vive no seu tempo

Mas já houve um tempo em que se tinha tempo

E o tempo de hoje? Passa amanhã... virou o tempo de ontem!

"Tempo, tempo, tempo, tempo..."

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Consagração

Vou contar uma historinha longa legal...

Em algum dia do ano 2000 eu conheci a Marcela. E, logo de cara, a gente não se bicou. Não sei se por sermos diferentes demais ou parecidas demais... nunca vou saber.

Só sei que com o tempo, quando terminamos a escola, fomos começando a brigar menos nos entender melhor e a partir daí ficamos amigas. O tempo passou, passamos por muita coisas juntas, muitas brigas, muita saudade, muitas reconciliações... parece que o carinho foi só aumentando com o tempo. Até que lá pelo ano de 2003 ela conheceu o Rafa... e eu morri de ciúme!

O namoro no início foi meio conturbado.. tinham brigas, e eu defendia e me metia e ouvia um lado e ouvia o outro... até que, por fim, eles finalmente começaram a se dar bem e eu finalmente me dei conta de que o Rafa era um amigo com quem eu poderia contar a qualquer momento. Eu aprendi a ter carinho pelo cara que tava ali pra fazer minha amiga-irmã feliz e... ganhei um cunha!

Depois de muitas idas e vindas, uma surpresa... Marcela ficou grávida. Foi inesperado e não planejado... como aquela criatura maluca ia ser mãe de uma criança?

Depois do susto, a surpresa boa. Eu seria a madrinha de consagração do Pedro. E aí começaram as piadas!

"Madrinha de consolação", "Segunda Opção"... etc e tal. Sinceramente? Não me importei. O que me importava é que eu teria mais um laço com meus dois amigos especiais e isso me bastava.

Coincidentemente, muitas coisas ruins aconteceram comigo durante um período e minha mãe me deu o livro "Kairós" do Padre Marcelo pra ler. E uma das passagens que mais me chama atenção é sobre as Bodas de Caná em que há o milagre da água se transformando em vinho. Ali fica claro como a intercessão da Virgem Maria é importante junto a Cristo, pois foi Ela quem pediu ao filho que ajudasse àquelas pessoas, mesmo não sendo a hora d'Ele.

A partir dali comecei a ver a Virgem Maria como uma protetora e procuro sempre rezar e conversar com Ela. E então, aproveitando esse momento, eu parei pra pesquisar o quê de fato significava ser madrinha de consagração de alguém. Se esse título existia na Igreja, não poderia ser algo tão banal como a cultura popular indicava.

E aí eu descobri que "consagrar" significa separar, santificar.

"Quando os católicos utilizam a palavra 'consagrar', mantêm o mesmo sentido: 'separar', 'tornar sagrado', 'tornar santo, porque pertence exclusivamente ao Santo que santifica tudo o que lhe pertence, tudo o que 'toca'.  Dentre as criaturas, Maria foi consagrada, isto é, separada, desde sua concepção, quando, toda de Deus, foi concebida sem o pecado original. O próprio Deus assim a separou, consagrou-a desde sua concepção. Foi separada para Deus durante toda a sua vida, pois, ainda que sujeita aos sofrimentos da humanidade, nunca pecou..."  - Emmir Nogueira

E descobri que a madrinha de consagração é aquela que tem o papel de zelar espiritualmente pela criança. É a pessoas que assume, durante a consagração da criança à Nossa Senhora, rezar por esta criança, estar ao seu lado espiritualmente, ser como Nossa Senhora, uma "mãe" espiritual.

Então me dei conta de tudo o quê havia acontecido comigo: todas as coisas ruins que me fizeram ler o "Kairós", todas as coisas que minha mãe me diziam... parece que tudo foi um jeito de me aproximar da Virgem Maria pra me preparar para aquele momento de consagrar o Pedro.

E finalmente, ontem, foi o Batizado dele. Não dá nem pra explicar o quê eu senti. Uma mistura de felicidade com necessidade de proteger, de estar junto. Uma sensação boa de que vou pra sempre estar ao lado dele. Um medo de ter a responsabilidade de interceder por ele. Muita coisa junta... muita coisa boa junta.

E porquê eu tô falando isso tudo? Por três motivos.

Primeiro pra dizer pra quem não crê ou não entende que não tem problema. Isso só significa que o seu momento, o seu kairós, ainda não chegou. Mas vai chegar, sempre chega.

Segundo pra agradecer. Agradecer aos meus amigos lindos, Ma e Rafa, por terem me dado esse presente, essa responsabilidade. Por terem colocado meu Pedroca na minha vida.

Terceiro pra dizer que ontem eu "assinei a cláusula" em que eu aceito. Aceito a responsabilidade. Aceito ser a pessoa que vai rezar pelo Pedro. Aceito estar ao lado dele sempre que ele precisar. Aceito ser a tia legal. Aceito mimar, brincar, sentar no chão e fazer besteiras. Aceito ser uma madrinha babona...

Talvez esteja escrevendo isso tudo só porque meu lado sentimental tá falando mais alto. Que seja. Só quis deixar registrado tudo o quê eu tô sentindo.

Obrigada de novo, Ma e Rafa. Amo vocês.