domingo, 9 de fevereiro de 2014

Consagração

Vou contar uma historinha longa legal...

Em algum dia do ano 2000 eu conheci a Marcela. E, logo de cara, a gente não se bicou. Não sei se por sermos diferentes demais ou parecidas demais... nunca vou saber.

Só sei que com o tempo, quando terminamos a escola, fomos começando a brigar menos nos entender melhor e a partir daí ficamos amigas. O tempo passou, passamos por muita coisas juntas, muitas brigas, muita saudade, muitas reconciliações... parece que o carinho foi só aumentando com o tempo. Até que lá pelo ano de 2003 ela conheceu o Rafa... e eu morri de ciúme!

O namoro no início foi meio conturbado.. tinham brigas, e eu defendia e me metia e ouvia um lado e ouvia o outro... até que, por fim, eles finalmente começaram a se dar bem e eu finalmente me dei conta de que o Rafa era um amigo com quem eu poderia contar a qualquer momento. Eu aprendi a ter carinho pelo cara que tava ali pra fazer minha amiga-irmã feliz e... ganhei um cunha!

Depois de muitas idas e vindas, uma surpresa... Marcela ficou grávida. Foi inesperado e não planejado... como aquela criatura maluca ia ser mãe de uma criança?

Depois do susto, a surpresa boa. Eu seria a madrinha de consagração do Pedro. E aí começaram as piadas!

"Madrinha de consolação", "Segunda Opção"... etc e tal. Sinceramente? Não me importei. O que me importava é que eu teria mais um laço com meus dois amigos especiais e isso me bastava.

Coincidentemente, muitas coisas ruins aconteceram comigo durante um período e minha mãe me deu o livro "Kairós" do Padre Marcelo pra ler. E uma das passagens que mais me chama atenção é sobre as Bodas de Caná em que há o milagre da água se transformando em vinho. Ali fica claro como a intercessão da Virgem Maria é importante junto a Cristo, pois foi Ela quem pediu ao filho que ajudasse àquelas pessoas, mesmo não sendo a hora d'Ele.

A partir dali comecei a ver a Virgem Maria como uma protetora e procuro sempre rezar e conversar com Ela. E então, aproveitando esse momento, eu parei pra pesquisar o quê de fato significava ser madrinha de consagração de alguém. Se esse título existia na Igreja, não poderia ser algo tão banal como a cultura popular indicava.

E aí eu descobri que "consagrar" significa separar, santificar.

"Quando os católicos utilizam a palavra 'consagrar', mantêm o mesmo sentido: 'separar', 'tornar sagrado', 'tornar santo, porque pertence exclusivamente ao Santo que santifica tudo o que lhe pertence, tudo o que 'toca'.  Dentre as criaturas, Maria foi consagrada, isto é, separada, desde sua concepção, quando, toda de Deus, foi concebida sem o pecado original. O próprio Deus assim a separou, consagrou-a desde sua concepção. Foi separada para Deus durante toda a sua vida, pois, ainda que sujeita aos sofrimentos da humanidade, nunca pecou..."  - Emmir Nogueira

E descobri que a madrinha de consagração é aquela que tem o papel de zelar espiritualmente pela criança. É a pessoas que assume, durante a consagração da criança à Nossa Senhora, rezar por esta criança, estar ao seu lado espiritualmente, ser como Nossa Senhora, uma "mãe" espiritual.

Então me dei conta de tudo o quê havia acontecido comigo: todas as coisas ruins que me fizeram ler o "Kairós", todas as coisas que minha mãe me diziam... parece que tudo foi um jeito de me aproximar da Virgem Maria pra me preparar para aquele momento de consagrar o Pedro.

E finalmente, ontem, foi o Batizado dele. Não dá nem pra explicar o quê eu senti. Uma mistura de felicidade com necessidade de proteger, de estar junto. Uma sensação boa de que vou pra sempre estar ao lado dele. Um medo de ter a responsabilidade de interceder por ele. Muita coisa junta... muita coisa boa junta.

E porquê eu tô falando isso tudo? Por três motivos.

Primeiro pra dizer pra quem não crê ou não entende que não tem problema. Isso só significa que o seu momento, o seu kairós, ainda não chegou. Mas vai chegar, sempre chega.

Segundo pra agradecer. Agradecer aos meus amigos lindos, Ma e Rafa, por terem me dado esse presente, essa responsabilidade. Por terem colocado meu Pedroca na minha vida.

Terceiro pra dizer que ontem eu "assinei a cláusula" em que eu aceito. Aceito a responsabilidade. Aceito ser a pessoa que vai rezar pelo Pedro. Aceito estar ao lado dele sempre que ele precisar. Aceito ser a tia legal. Aceito mimar, brincar, sentar no chão e fazer besteiras. Aceito ser uma madrinha babona...

Talvez esteja escrevendo isso tudo só porque meu lado sentimental tá falando mais alto. Que seja. Só quis deixar registrado tudo o quê eu tô sentindo.

Obrigada de novo, Ma e Rafa. Amo vocês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário